| Por: Valdeci T. Ribeiro - Técnico em Segurança do Trabalho. | ||
| Há casos em que os verdadeiros motivos que levaram o indivíduo a provocar ou sofrer um acidente de trabalho passam despercebidos, e um deles pode estar ligado ao assédio moral. Muitos trabalhadores são discriminados na empresa sem que seus empregadores ou chefes saibam, ou acabam sabendo, mas são coniventes. O assédio moral é um mal que deve ser combatido inclusive com advertências e dependendo da gravidade, é motivo de suspensão ou demissão dos agressores. Uma brincadeira que começa “inocente” pode terminar em sofrimento, provocar brigas, desavenças ou até resultar em tragédia. Um trabalhador pode ser vítima de assédio moral porque é alta demais, baixa demais, gorda, magra, porque fuma, bebe, usa óculos, pela orientação sexual ou quando possui alguma dificuldade motora, enfim, tudo é motivo para piadas de mau gosto que pode levar o indivíduo a perder a concentração no que estiver fazendo e provocar ou sofrer um acidente de trabalho. Um acidente ocorrido nessas condições é difícil de determinar a causa porque a vítima deixa de relatar o verdadeiro motivo por vergonha de se expor temendo ser alvo de mais perseguições. Uma das fases da investigação do acidente de trabalho é a entrevista com os envolvidos para tentar chegar aos motivos que antecederam o evento e se o funcionário não mencionar o fato de que o assédio moral teve participação decisiva no acidente, a investigação embora produza resultados, não revela a causa principal. O assédio moral também pode vir através de alguma humilhação provocada por patrões, gerentes e chefes contra seus subordinados, como cobranças de favores sexuais em troca de promoção, ordens difíceis de serem cumpridas, xingamentos e gritos, ou seja, é uma verdadeira tortura para as vítimas que se sentem acuadas, causando estresse e afetando o seu desempenho no trabalho. Muitos empregados têm vergonha da perseguição que sofrem e ocultam o máximo possível a sua presença, para no mínimo tentar passar incógnitos na empresa, imaginando assim estarem livres de qualquer atenção que possam despertar. Se você ouvir falar que fulano é “moita ou turista” fique atento, pode ser que ele não seja um mau funcionário e queira tirar proveito de alguma situação, mas esteja sofrendo com o assédio moral e acaba utilizando a tática de desaparecer dentro da empresa para preservar a sua integridade moral das agressões que sofre. A iniciativa da abordagem contra o assédio moral deve partir da empresa. A empresa é a responsável pelo bem estar físico e mental de seus empregados. Uma abordagem franca sobre esse tema ajudará no resgate da dignidade e auto-estima daqueles que sofrem com as agressões. As vítimas sentem-se mais seguras quando sabem que a empresa condena essas atitudes. Deixar de combater o assédio moral também pode custar caro para a empresa gerando processos trabalhistas ou reparação por dano moral. A empresa é uma comunidade de pessoas com direitos e obrigações e para funcionar harmoniosamente, é necessário que todos estejam imbuídos em uma convivência pacífica e de respeito. Viver com pessoas tão diferentes e com comportamentos tão adversos por muito tempo representa um desafio para qualquer indivíduo, e quando os problemas aparecem o ambiente de trabalho pode ficar insustentável. Os funcionários também devem fazer parte do combate ao assédio moral denunciando os agressores. Desenvolver um trabalho sério de conscientização sobre o assédio moral e suas consequências é uma obrigação da empresa. |
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8 de janeiro de 2012
7 de dezembro de 2011
Integrantes do Sindicato participaram na última terça-feira, 6 de dezembro, de palestra sobre assédio moral, ministrada pela especialista no assunto, Dra. Margarida Barreto na Universidade Federal do Rio Grande do Sul, em Porto Alegre.
O assédio moral é uma ameaça dentro das empresas e muito comum atualmente. É a exposição dos trabalhadores e trabalhadoras a situações humilhantes e constrangedoras, repetitivas e prolongadas durante a jornada de trabalho e no exercício de suas funções.
“O assédio moral está mais ligado ao direito do que à saúde. Ele viola os direitos humanos e é uma ofensa à dignidade da vítima com a finalidade de estimulá-la a deixar o emprego”, relatou a palestrante. A painelista destacou ainda que, a cada 10 trabalhadores, seis sofrem danos morais, a maioria mulheres. Salientou também que a maior parte destes, são assédios organizacionais. Este tipo de dano caracteriza-se pelo emprego de condutas abusivas, exercidas em decorrência de relações de trabalho, resultando em humilhações para que o trabalhador obtenha um engajamento às políticas e metas da empresa.
O assédio está entre as lutas da classe trabalhadora. A advogada do Sindicato dos Metalurgicos, Maísa Aran, destaca que umas das principais questões de atendimentos do Departamento Jurídico da entidade são por danos morais. “O Sindicato recebe cerca de 30 denúncias por mês relatando assédio moral nas empresas da região, algumas delas foram inclusive condenadas por essa prática.”
O evento foi uma promoção do Núcleo de Estudos e Pesquisa em Saúde e Trabalho da UFRGS e abordou o tema "Da Violência ao Suicídio no Trabalho". A palestrante é médica do trabalho, doutora em Psicologia Social peal PUC-SP e autora do livro "Do Assédio Moral à Morte em Si".
Fonte: Sindicato dos Metalúrgicos de Caxias do Sul



